quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Religiões - Um estudo sobre..., pela ótica do autor - Parte 3


 

O que despertou o autor para o ideal libertário que revela em seus textos? 

 Bodstein afirma ter despertado muito cedo para a dissonância que sentia em relação ao mundo à sua volta – primeiro em seu meio familiar, e depois estendida ao contexto externo – pela consciência de que teria que se contrapor às injustiças de que era alvo, e que essa luta jamais teria fim. Tal percepção aconteceu ainda na juventude como reflexo de um momento anterior, de quando decidiu não baixar a cabeça diante de forças maiores que as suas, nem se acovardar frente à prepotência, arrogância e autoritarismo do mundo que mal acabara de conhecer, estabelecendo assim uma permanente vigilância como fator de resistência aos medos. 

A partir desse momento significativo de sua curta existência, passou a entender a dimensão de uma luta que previu ser eterna, após concluir que os inimigos internos se mostravam muito mais fortes que os externos. A essência dessa luta foi sentida por ele como o despertar de seu senso de libertariedade, algo que o acompanharia por toda a vida. O marco decisivo que a pavimentou ocorreu, segundo seus relatos, aos 12 anos de idade, quando decidiu que não mais permitiria que seus medos fossem mais fortes do que sua determinação de dominá-los (leia em https://diariodeumfrancolibertario.blogspot.com/2025/11/lidando-com-os-proprios-medos.html). A partir daí essa decisão se consolidaria como permanente resistência ao acovardamento nos momentos mais conturbados de sua trajetória de vida. 

Bodstein se define a partir do que ele chama de "Lia" – acrônimo para Liberdade, Independência e Autonomia. Além disso, traços de personalidade como a inquietação, a curiosidade intelectual e a busca permanente por elementos factíveis foram características construídas nele ao longo do tempo, tendo a verdade como norte para onde sua bússola interna apontava, em perfeita sintonia com sua lógica, princípios e senso crítico. 

O escritor esclarece que o tema principal de sua abordagem no texto “A eterna luta contra um mundo que não perdoa” não é sobre religião, mas sobre libertariedade. No texto ele explica as razões pelas quais acabou rejeitando a tese do ateismo, após longo tempo envolvido com estudos comparativos das religiões, ressaltando que sua postura não derivou de crenças, mas do senso critico que sempre se fez presente nele, desde que adquiriu entendimento sobre si mesmo. Ele deixa claro não se concentrar em conceitos morais sobre certo ou errado por se mostrarem subjetivos e de viés claramente cultural, mas sim o de libertariedade, que ele define como o ato de encarar e assumir as consequências das próprias escolhas. 

Ele utiliza sua jornada de vida – que inclui o estudo comparativo de religiões e sua posterior opção pelo agnosticismo – para ilustrar um tema maior: sua luta eterna contra o medo num mundo que muitas vezes se revelava prepotente, arrogante e autoritário. Essa luta seria movida por coragem para enfrentar esse contexto hostil, e por uma resistência permanente contra o medo durante a construção do próprio libertarianismo, um tema recorrente em toda a sua obra. 

Seu foco central, portanto, é a liberdade individual, a independência de pensamento e a autonomia – o acrônimo da "Lia" – que, segundo ele, sempre o definiram. Para atingi-los, enfatizou com frequência a importância do autoconhecimento como propósito de vida a partir de um senso crítico apurado mas, ao mesmo tempo, aberto a revisões. Conta ele que, ainda aos 12 anos de idade, foi despertado para o compromisso consigo mesmo de não permitir que seus medos se mostrassem mais fortes do que sua determinação de dominá-los.   

Complementa o autor que, ao longo de sua formação em Direito, adquiriu o hábito de pesquisas “levada a extremos” para testar conceitos e emprestar solidez às próprias conclusões. Essa prática envolveu o concurso de muitas vozes para sustentar os resultados a que chegava, bem como a credibilidade das fontes. Introduziu ainda em seu cotidiano  o uso irrestrito da lógica para filtrar seus "componentes de prova". Entendia como fundamental o uso desse filtro lógico para prevenir erros crassos que pudessem desvirtuar o resultado de sua busca. Em suma, a formação jurídica tanto lhe permitiu aumentar o rigor em suas pesquisas quanto maior segurança em suas análises, de forma a eliminar possibilidades de erro por negligência, imprudência ou imperícia. 

Bodstein conta ainda porque recusou o ateísmo como tese de vida, após quase quarenta anos dedicado ao estudo comparativo das religiões, destacando três motivos que se entrelaçam em sua jornada norteada por autoconhecimento e coragem: 

1. Propósito de autoconhecimento e imersão na verdade factual:

Seu principal balizamento de vida recaiu sempre no autoconhecimento, algo que converteu sua trajetória num mergulho profundo e corajoso em suas verdades mais impactantes. Ele vê na “ignorância voluntária” a  principal razão para que crentes do mundo inteiro se apeguem a preceitos dogmáticos inaceitáveis por medo do que possam vir a descobrir. Essa busca exigiu que ele não temesse o que encontraria ao final dela, regra básica na construção do seu libertarianismo, e que se visse sempre disposto a rever todo o caminho percorrido se a conclusão contrariasse sua "bússola interna".

2. Coragem e construção de seu libertarianismo:

A coragem acabaria convertida em garantia de sobrevivência, o que lhe permitiu iniciar uma escalada de posicionamentos que construiriam seu senso libertário. Esse compromisso com a coragem implicava em não se acovardar diante de qualquer resultado a que chegasse, atuando como o sustentáculo de sua crença em si mesmo. 

3. Lógica e coerência intelectual:

Sua recusa ao ateísmo veio associada a uma lógica insofismável que o colocou diante da opção pelo agnosticismo. A lógica de Bodstein concluiu que tanto o crente (que acredita na existência de Deus) quanto o cético (que acredita na inexistência de Deus) são similares na forma, já que ambos são "crentes" e se fecham em verdades que não podem provar, e diferentes apenas no aspecto de que um acredita em algo e o outro acredita no seu oposto, mudando apenas o corpo de prova. Assim, em lugar de abraçar o ateísmo – que ele via como uma forma de  crença na não-existência – o autor enxergou no agnosticismo uma alternativa mais compatível com sua visão da espiritualidade. Viu nessa escolha o resultado mais coerente e honesto de sua busca, após  reconhecer que elementos de espiritualidade não são comprováveis, mas refletem tão somente a experiência pessoal do observador. O agnosticismo, assim, permitiu-lhe admitir a dúvida, uma vez que não poderia comprovar ou negar a postulação de Deus. Enfatizou ainda que sua escolha não teve relação com crenças, mas sim com traços inerentes à sua personalidade, caracterizada por inquietação, curiosidade intelectual e  coragem para enfrentar suas descobertas. 

A principal estratégia do medo, conforme as premissas defendidas por Bodstein, é se tratar do meio utilizado para construir e eternizar certas crenças, atuando como  garantia de fidelidade a construções dogmáticas, e como estratégia na edificação de "verdades" que são transmitidas de forma tanto opressiva quanto insidiosa, de modo a que o indivíduo jamais se atreva a contestá-las, por mais absurdas que se mostrem. Isso explicaria o pavor de mudanças que possam ameaçar essas construções, que o autor entende como "crenças limitantes" por acorrentarem o indivíduo a premissas dogmáticas construidas de fora pra dentro. O medo, portanto, é a ferramenta que impede o indivíduo de se libertar de tais “verdades” e submetê-las ao crivo da análise crítica, requisito indispensável para livrá-lo de armadilhas muitas vezes construidas “em nome de Deus”. 

Por meio do autoconhecimento, Bodstein transformou sua trajetória em permanente busca pela verdade e combate à manipulação do pensamento não apenas no campo religioso, mas tambem no das ideologias e da filosofia. Essa busca por autoconhecimento foi-lhe essencial na construção de seu libertarianismo, e na permanente disposiçao para rever todo o caminho percorrido caso a linha de chegada contrariasse sua "bússola interna". Surgiu, como ele sustenta, da premissa basilar da ciência, que pede uma revisão continua das proposições anteriores.                                                                                                                                                                                                                                                                          Conhecimento como proposta de vida 

O maior propósito de vida de Bodstein, como repetido em sucessivas ocasiões,  é  o  conhecimento  cada  vez  mais  profundo  de  suas  idiossincracias – analisadas pela ótica de pontos fortes e fracos, de oportunidades e ameaças – para a formulação de planos de ação que lhe permitissem lidar com cada uma delas. Essa busca transformou sua trajetória em um mergulho profundo em suas verdades mais impactantes, inclusive com o poder de reforçar seu libertarianismo, O autoconhecimento precisaria, segundo ele, acontecer em perfeita sintonia com a verdade, tido como o norte para onde sua bússola apontava, é apoiada sobre um tripe constituido de lógica, princípios e senso crítico. 

A coragem auto incentivada e conquistada precocemente deu início a uma escalada de posicionamentos que culminaram no libertário em que se transformou. O compromisso com a coragem que firmou consigo mesmo fê-lo ver que seu maior ato de coragem seria sua resistência permanente ao medo, garantindo que nunca saisse vencedor. 


O agnosticismo na vida de Luiz Roberto Bodstein 

O que levou Bodstein à sua opção pelo agnosticismo, em lugar de percorrer o caminho natural para o ateísmo, após sua oposição frontal as religioes, foi a combinação de uma lógica insofismável com coerência e honestidade intelectual, desenvolvidos ao longo de quase quarenta anos de estudo comparativo das religiões, e ele o justifica com tres razoes bastante definidas: 

1. A impossibilidade de comprovação das teses religiosas:

O autor concluiu que nunca se poderá tomar como verdade qualquer coisa que diga respeito à espiritualidade, uma vez que nenhum de seus argumentos é comprovável, mas apenas refletem a visão e a experiência pessoal do observador.

2. A coerência da dúvida:

Diante da impossibilidade de referendar as próprias percepções para   provar ou negar a postulação de Deus, o autor considerou que admitir a dúvida era o que se mostrava mais coerente e honesto com seus valores. 

3. Identificação entre o Crente e do Cético:

As teses do cético são tao imprecisas quando as do teísta, apesar do aparente antagonismo, pois que se resume ao sentido contrário que demonstra. Sendo assim, a opçao pelo agnosticismo se apresentou a ele como caminho obrigatório para não fugir à verdade em suas formulações alem de incoerente em relação a seus dogmas morais e, por extensão, à ética que o norteara desde a mais tenra idade.

 

Quais os maiores desafios  dessa luta? 

O verdadeiro ato de coragem, pela ótica de Bodstein, consiste na permanente resistência ao medo, mesmo consciente de que  não poderia eliminá-lo completamente, mas simplesmente não deixar que ele se mostre mais forte que sua determinação de dominá-lo. O desafio, para ele, não está em sua extinção, mas em não se deixar levar pela crença de que não exerce controle sobre seus efeitos.   E um dos fatores que lhe trazem tal certeza é sua postura frente às bifurcações que surgem em seu percurso rumo à verdade, tornando necessário efetuar mudanças de cunho ideológico, religioso ou filosófico que lhe cobrem posicionamentos diametralmente opostos aos que defendera antes. Para Bodstein, trata-se de um ato que exige coragem e  honestidade em relação aos próprios valores.

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