(Pergunta de Hélder Oliveira / Portugal):
Importante a ênfase que estarei dando ao "para você" do final de sua pergunta, e a razão é muito fácil de entender: basta correr os olhos pelas respostas que já foram dadas pelos demais que já atenderam à sua questão, e verá que são bastante diferenciadas entre si, pois para cada pessoa a igreja tem um sentido muito próprio, e pode-se concluir que ninguém pode se apoiar em coisa alguma senão no seu próprio sentimento a respeito.
Igreja nenhuma é por si mesma, como já ficou evidenciado nas respostas, mas simplesmente será aquilo que as pessoas queiram encontrar ali. Mas como você quer conhecer a visão de cada um, a minha não é das mais positivas. Eu vejo no local um ambiente de "confirmação" para o "terrorismo psicológico" que a sociedade realiza para arrastar pessoas para elas, principalmente pela crença de que os que não o fizerem serão punidos por Deus e estarão condenados ao inferno. A igreja funciona como o segundo lado da "prensa" formada com a sociedade para esmagar o indivíduo posicionado entre essas duas partes, principalmente os mais frágeis que não sabem como se proteger sozinhos, e correm para ela na crença de que ali estarão seguros, como moscas atraídas justamente para a teia da aranha tentando escapar de um jato de inseticida.
Eu poderia passar horas aqui discorrendo sobre tudo o que a "aranha" poderá fazer com a mosca que enxerga presa à sua rede, bem como a "sufocação por esganadura" produzida pela própria teia, representada pelos fiéis que exercem forte pressão sobre a mosca mais recente presa à ela de modo a que não deseje se libertar. E isso não surgiu por simples opinião pessoal, já que não me permito criar lendas sobre coisa alguma sem um mínimo de pesquisa sobre o assunto. Por um bom tempo acompanhei a trajetória de um ex-pastor que respondeu a mais de 80 processos contra uma das maiores igrejas pentecostais do Brasil (que alcançou os quatro cantos do mundo), e ganhou todos! Mas o que mais me alarmou foi a quantidade de depoimentos de antigos fiéis que narram terem perdido todos os seus bens para a igreja, chegando ao nível de se virem transformados em moradores de rua.
Não vou prosseguir por essa linha para não sugerir que todas as igrejas fazem isso. Mas, de minha parte, prefiro seguir a sabedoria popular naquela famosa frase hispânica que diz o seguinte: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay", lembram dela? Pois é. Mas não se pode dizer que a igreja faz tudo sozinha, pois que 90% do mal vem pela insegurança e ignorância das pessoas que para lá correm, tornando-se presas fáceis de ser manipuladas pelo medo, a principal arma usada nesses ambientes tóxicos de dominação de massas. Eu, por exemplo, passei seguramente por mais de 20 igrejas e templos das mais diferentes matrizes, e nunca me senti preso a teia alguma porque já as procurava para entender como eram vistas por dentro, e não como pessoa fragilizada buscando por proteção, que é o "acúçar" oferecido às "moscas" pelas "aranhas" locais.
Mas não iria longe a ponto de afirmar que não há igreja com
pastores íntegros e bem intencionados. Eu mesmo conheci alguns de caráter
inquestionável que se colocavam como missionários firmemente dispostos a levar
a paz aos que por ela buscavam. E ainda que eles próprios possam ter chegado lá
por conta do "efeito manada", o trabalho sério que faziam os
resgatava desse meio espúrio dos manipuladores, convertendo-os em portos
seguros para muita gente. No frigir dos ovos, eu continuo defendendo que o
risco não vale à pena, principalmente quando não se entra lá com a preparação
que me impus, e no geral o melhor antídoto é a distância.
Abraços.


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