quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Religiões - Um estudo sobre seus pilares e contradições - Introdução



 Introdução

 

Não é surpresa pra ninguém que a questão  das religiões sempre esteve no topo da lista dos temas mais controversos da espécie humana. Do mais simplório ao mais intelectual, do mais cético ao mais crédulo, ninguém passa incólume por essa questão que acompanha o homem desde sua primeira incursão no tema, de modo a entender os fenômenos que ocorriam à sua volta e que tanto o amedrontavam!   

O sobrenatural, enquanto conceito filosófico, imiscuiu-se no dia a dia do homem primitivo desde o momento em que ele pisou o planeta – a principio como busca de explicação para o que se lhe apresentava como ameaça à sobrevivência, e depois quando desejou elaborá-lo de forma mais lógica a partir de percepções cada vez mais complexas, decorrentes de sua própria evolução. 

Essa mudança de patamar, no entanto, não produziu o esperado apaziguamento de suas inquietudes em relação aos fenômenos que observava: a diversificação de interpretações a que deu margem acabou desabando sobre sua realidade na forma de uma “caixa de pandora” na qual, porquanto mais se aprofundasse, questões cada vez mais complexas igualmente iam emergindo da escuridão. 

Daí não se tratar mais de apenas reduzir seus medos primários, mas de se proteger também das novas ameaças que começaram a surgir de seu próprio meio social – tanto pela multiplicidade de percepções daqueles fenômenos, quanto pelo uso que se poderia fazer deles, logo transformados em fonte de poder e controle de uns sobre os demais.  O gérmen da primeira religião estava semeado, e todos os desdobramentos advindos de seu florescimento começaram a se fazer presentes, de forma indelével e ininterrupta, na vida de cada individuo, a ponto de se afirmar que a humanidade e a religião nunca mais se separariam, tanto para o bem quanto para o mal.  

O que se verá nestes textos é o resultado de um estudo iniciado há quase 40 anos, quando mergulhei numa busca pessoal que nunca cessou desde então, mas tão somente mudava de forma à medida em que aprofundava meus questionamentos. Iniciada em 1988 e maturada ao longo destas últimas quatro décadas, conclui que já havia reunido material suficiente para consolidá-lo nesta série que inicio hoje, com base em análises de natureza antropológica, psicológica e filosófica envolvendo a relação do homem com as religiões a que ele próprio deu origem, na tentativa de entender seus impactos sobre esse ser que, desde seus primórdios até nossos dias, parece manter as mesmas percepções em relação ao desconhecido para dar voz, rosto e poderes a um ser superior que lhe possa dar o acolhimento e a proteção que sempre procurou, mas também as promessas e castigos dos quais, em tempo algum, jamais se libertaria.    

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