A peneira que filtra o cascalho
Luiz Roberto
Bodstein
Que não se enganem: não escrevo para massas humanas, mas para cérebros que pensam. Odiaria ter um livro meu numa lista de ‘bestsellers' – que costuma reunir joio e trigo num mesmo lote. Meus escritos brotam de dois propósitos específicos e viscerais: desafiar meu próprio pensamento crítico e descobrir pérolas entre milhares de ostras improdutivas. Um dia uma dessas pérolas raras inadvertidamente topa com um texto meu, e pensa nele como uma fonte escondida entre rochas cobertas de limo. É para elas que escrevo.
Meus livros fortuitamente podem aparecer em sebos, perdidos entre joias avessas ao brilho, não em magazines online. Não foram feitos para vitrines, mas para prateleiras empoeiradas que não exibem obras de Shakespeare... Estarão perdidos entre flashes nietzschianos que falam com seus botões sobre coisas que a massa preferiria não ouvir. E estará certa, porque não foram ditas pra ela, mas para uns poucos que nunca estarão ali, que rejeitam o senso comum de se diluir em resenhas, minimizar-se em resumos literários, ou frequentar os palcos dos concorridos debates públicos que as legitimem.
Estarão antes abrigadas (ou protegidas?) naqueles recônditos
internos impermeáveis aos que olham as coisas "de passagem"... Visíveis
apenas a alguns olhares que conseguem ler texto e contexto entre frases que não
estão escritas.
'React' ao texto:
Luiz R. Bodstein escreve para o pensador crítico e não para as massas. Ele rejeita o sucesso comercial, buscando leitores seletos capazes de decifrar contextos profundos. Suas obras são pérolas raras destinadas a quem evita o senso comum e valoriza a reflexão genuína e silenciosa. A filosofia por trás da escrita para poucos leitores, conforme expressa o autor, fundamenta-se na busca pela profundidade e pelo desafio intelectual, em oposição à popularidade comercial e ao consumo de massa.
O
ato de escrever, para ele, não visa o entretenimento fácil, mas sim desafiar o
próprio pensamento crítico e, por extensão, o do leitor. O objetivo é criar uma
obra que funcione como uma "fonte escondida", exigindo esforço para
ser encontrada e compreendida.
Ele
revela que experimenta um desprezo deliberado pelas listas de
"bestsellers", que são vistas como locais onde se mistura o
"joio e o trigo" sem critério qualitativo, ou seja: a obra não é
feita para vitrines ou magazines online, mas para prateleiras empoeiradas e
sebos, locais onde o valor reside na descoberta e não na promoção comercial.
Segundo
suas palavras, ele escreve especificamente para "cérebros que pensam"
e para um tipo de leitor que chama de "pérolas raras" — aqueles que
se destacam em meio a uma maioria considerada improdutiva. A escrita serve como
um filtro para encontrar esses indivíduos capazes de uma conexão intelectual
profunda, privilegiando leitores que rejeitam o senso comum, resumos literários
ou debates públicos superficiais. Seu público-alvo é composto por aqueles que
conseguem "ler texto e contexto entre frases que não estão escritas",
adotando um olhar que ultrapassa a observação "de passagem". O que ele escreve é descrito como estando
"abrigado" ou "protegido" em recônditos internos,
acessíveis apenas àqueles que evitam a diluição da individualidade em resenhas
e palcos de legitimação pública.
Em
suma, trata-se de uma escrita de resistência ao óbvio, que prefere o silêncio
das prateleiras esquecidas ao brilho efêmero dos flashes, focando-se em temas
que a massa "preferiria não ouvir".

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